Série "Relembre a ONHB" - questão 33, 5ª ONHB

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Em 20/11, por Assessoria de ImprensaONHB10

Redenção de Cam,  Modesto Brocos y Gómez, 1895

Durante os meses de novembro a janeiro, será realizada a série "Relembre a ONHB - Temporada de férias", em que será possível rever as questões que estiveram presentes nos10 anos da Olimpíada Nacional em História do Brasil.

Confira a questão 33, da 5ª edição em 2013:

A autoria do quadro “A redenção de Cam” é de Modesto Brocos y Gomez (1852-1936), pintor espanhol que se radicou no Brasil nos anos 1890 e retratou inúmeras cenas do cotidiano brasileiro. Observe a imagem selecionada e escolha uma alternativa:

 

  1. Os gestos de aclamação da mulher idosa e negra, de satisfação do homem branco, de harmonização da mulher mulata e de ternura da criança branca constroem um ambiente de redenção do passado escravagista brasileiro.

  2. A forma como foram dispostas as personagens por Modesto Brocos indica a hierarquia social do período, momento em que as mulheres eram responsáveis pelo branqueamento populacional.

  3. A cena ambientada à porta de um casebre em uma rua rudimentar mostra uma família à frente de uma construção simples de pau a pique, ornamentada com uma palmeira. 

  4. A pintura de Modesto Brocos foi utilizada como ilustração por teorias médicas sobre a possibilidade do branqueamento populacional, revelando distintas aproximações que existiam entre arte e ciência no início do século XX. 

 

Comentários:

O objetivo dessa questão foi pensar as aproximações entre ciência, arte e religião como registro cultural do século XIX, como é possível notar, por exemplo, na composição de Modesto Brocos y Gomez e nas possíveis leituras desse quadro a partir de bases científicas, sociais e médicas. A pintura é uma alusão à linguagem bíblica de constituição das diferentes povoações europeias, africanas e asiáticas descritas no Gênese, em que Cam, um dos filhos de Noé, é amaldiçoado e tem seu filho, Canaã, condenado em Gên 9:25 a servir os filhos de seus irmãos: “E disse [Noé]: Maldito seja Canaã; Servo dos servos será de seus irmãos”. A associação entre os filhos de Cam e os escravos negros, porém, é bem posterior e não está na Bíblia. Essa leitura pode ser observada na figura da ex-escrava, que louva a redenção de sua família com o branqueamento, proporcionado pela mestiçagem. Assim, os caracteres da pintura remetem ao passado escravocrata, à humildade das famílias, à flora e à composição das raças brasileiras, tudo dentro de uma harmonização orquestrada pelo pintor.

 

Palavras chaves: História da Arte, Século XIX,  Primeira República

Para Saber Mais:

Giralda Seyferth. O futuro era branco. Revista de História da Biblioteca Nacional. 03/06/2011. Disponível em: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/perspectiva/o-futuro-era-branco

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